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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Desabafo a um grande amigo sobre a decisão do STF

Querido amigo,
Resolvi escrever estas linhas em resposta ao seu pedido e, de certa forma, achei melhor que esta fosse como uma carta a um amigo. Amigo que conheci no primeiro período de uma faculdade, onde estávamos todos cheios de sonhos e ávidos para adquirir os conhecimentos necessários para sermos jornalistas. Foram anos se dedicando, estudando, procurando a melhor forma de informar e acima de tudo, de fazê-la com ética.
Acredito que a minha alegria no recebimento do tão sonhado ‘canudo’ tenha sido equiparada a de todos os meus colegas. É a conclusão de mais uma etapa de vida, o fim de um curso superior e o inicio de uma vida profissional. Ao saber que o Supremo Tribunal Federal considerou, com oito votos a um, incompatível a exigência da graduação de jornalismo, para o exercício da profissão, além da minha indignação, me lembrei do campus da minha faculdade. Imagino o que não deve estar passando na cabeça daqueles alunos, de primeiro período de jornalismo, que ingressaram ali na busca de seus sonhos.
Vivemos um clima de total subversão dos valores éticos. Realmente incomoda que existam profissionais que possam tratar da informação de forma criteriosa e ainda mais, que estes possam investigar e falar o que não poderia ser dito. A imprensa já foi calada na ditadura e agora querem desqualificar a nossa profissão. É dever sim do poder público verificar se um ensino superior, seja ele de qualquer área, habilite de forma correta os seus profissionais e cobre além desta conduta, valores éticos para o cumprimento de sua profissão, seja ela qual for.
A obrigatoriedade do diploma não fere a liberdade de expressão como alegou o Ministro Gilmar Mendes. É claro, que todos têm o direito de falar o que pensam, mas é óbvio que um profissional qualificado para tal irá fazê-lo de maneira correta. Dessa forma, qualquer um pode passar anos estudando sobre uma profissão, pela qual se identifique e em um determinado momento achar que realmente está qualificado para exercê-la.
Estamos assistindo a um retrocesso a uma profissão que lutou por anos pelo seu reconhecimento. Uns alegam que existem profissionais de outras áreas exercendo o jornalismo com o mesmo talento dos que têm o diploma. Não discordo, mas isto não é regra! Imagina se agora vários talentosos resolverem exercer outras profissões também.
Este é o país onde a exceção vira regra para que interesses maiores sejam alcançados, mesmo que para isso precise se tomar uma medida tão vergonhosa com esta. Eu não sei se consegui responder ao que me pediu amigo, mas, francamente, ainda me orgulho de ser jornalista, mesmo que existam tantos esforços para que este sentimento vá embora. Michele Rangel

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Festa Junina - Um pouco da História


História da Festa Junina e Tradições

Origem da festa junina, história, tradições, festejos, comidas típicas, quermesses, dança da quadrilha, influência francesa, portuguesa, espanhola e chinesa, as festas no Nordeste, dia de Santo Antônio, São João e São Pedro, as simpatias de casamento e crendices populares, músicas típicas da época, os balões

desenho festa junina

Origem da Festa Junina
Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.

De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal).

Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.

Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.

Festas Juninas no Nordeste
Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura.

Além de alegrar o povo da região, as festas representam um importante momento econômico, pois muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Hotéis, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nestas cidades. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos que chegam ao Brasil para acompanhar de perto estas festas.

Comidas típicas
Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos.
Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.

Tradições
As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam.

No Nordeste, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros.

Já na região Sudeste são tradicionais a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse.

Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão.

Fonte: Site Sua Pesquisa

domingo, 14 de junho de 2009

Capoeira - Dança, Luta e Resistência


A única arte marcial com música...

Raízes africanas

A história da capoeira começa no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. A mão-de-obra escrava africana foi muito utilizada no Brasil, principalmente nos engenhos (fazendas produtoras de açúcar) do nordeste brasileiro. Muitos destes escravos vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, na África, faziam muitas danças ao som de músicas.

No Brasil

Ao chegarem ao Brasil, os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores brasileiros. Eram constantemente alvos de práticas violentas e castigos dos senhores de engenho. Quando fugiam das fazendas, eram perseguidos pelos capitães-do-mato, que tinham uma maneira de captura muito violenta.

Os senhores de engenho proibiam os escravos de praticar qualquer tipo de luta. Logo, os escravos utilizaram o ritmo e os movimentos de suas danças africanas, adaptando a um tipo de luta. Surgia assim a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança. Foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escravos brasileiros.

A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas (galpões que serviam de dormitório para os escravos) e tinha como funções principais à manutenção da cultura, o alívio do estresse do trabalho e a manutenção da saúde física. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão. Do nome deste lugar surgiu o nome desta luta.

Até o ano de 1930, a prática da capoeira ficou proibida no Brasil, pois era vista como uma prática violenta e subversiva. A polícia recebia orientações para prender os capoeiristas que praticavam esta luta. Em 1930, um importante capoeirista brasileiro, mestre Bimba, apresentou a luta para o então presidente Getúlio Vargas. O presidente gostou tanto desta arte que a transformou em esporte nacional brasileiro.

Três estilos da capoeira

A capoeira possui três estilos que se diferenciam nos movimentos e no ritmo musical de acompanhamento. O estilo mais antigo, criado na época da escravidão, é a capoeira angola. As principais características deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. O estilo regional caracteriza-se pela mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Já o terceiro tipo de capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de capoeira é o mais praticado na atualidade.

Fonte: Site Sua Pesquisa

Existem muitas histórias interessantes sobre a Capoeira as quais pretendo brevemente discorrer melhor. Esse primeiro post, é só um apanhado geral, pois o tema é vasto e interessante. A música, o ritmo, e uma série de preceitos tão pitorescos que vale a pena escrever mais...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Leitor


Belo filme com uma excelente fotografia, belo roteiro. O Leitor não é apenas um filme com a temática nazista. Fala de amor, de um amor que sobrevive ao tempo, às angústias existenciais de cada um... resiste as diferenças. Vale a pena assistir.Kate Winslet simplesmente maravilhosa, mereceu o Oscar de melhor atriz por sua Hanna, dura, fria, misteriosa.

bjs
Kátia

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A minha busca por 'um lugar ao sol'neste mundo tão competitivo, como o área da comunicação, está me empenhando na busca de respostas ao desemprego. Crise?? Sim, é a palavra que mais escuto a cada nova entrevista. Contudo, neste caminho tenho me deparado com textos interessantes, que levantam aspectos que sempre questionei e devido a isso, postarei a seguir um deles.

O que me chamou a atenção foi o fato de existir um atrelamento do lado humano a lógica de mercado; isto me encheu de esperanças! A cada recomeço me sentia oprimida com este ambiente competitivo, que parece te resumir a nada, quando você sabe de todo o seu esforço para chegar até ali. Uma mistura de revolta com tristeza pairava em mim quando me deparava com pessoas que estariam no mercado de trabalho por motivos duvidosos.

Contudo, este artigo me renovou. Espero que o olhar do mercado tenha, de fato, se direcionado para um viés mais humano, onde as relações possam ter uma importância equiparada à capacitação profissional do indivíduo. São tantos anos de estudo, de trabalho, horas sem dormir, cursos - a bagagem que capacita o profissional, sem dúvida. Mas, muitas vezes são outros os valores que são levados em conta e, principalmente, o fator humano é colocado em segundo plano.

Estou feliz com este novo rumo do mercado e, assim, acredito que em breve conseguirei o que almejo.
Michele Rangel

Segue o texto:



Relação humana é a raiz do sucesso profissional

Estudos científicos atribuem à habilidade de se relacionar com os outros – de 85% a 99% – a causa de êxito na profissão, nos negócios e na felicidade pessoal. Importante e realista indicação para se experimentar sucesso ensina que devemos aprender o máximo sobre a natureza humana como ela, é e não como gostaríamos que fosse. O setor de orientação vocacional da Universidade de Harvard, em estudo de milhares de casos visando a descobrir os motivos de demissões, fez comprovação eloqüente: duas a cada três pessoas haviam sido dispensadas por dificuldades em relacionamentos com outras pessoas.

Para quem sempre acreditou no domínio técnico, na inteligência racional e na aptidão de trabalho como motivos determinantes da carreira profissional bem sucedida, o levantamento feito pelo Carneggie Institute of Technology, em 10.000 casos, provoca surpresa. A influência destes fatores ficou restrita aos 15%. As principais causas (85%) se devem a fatores comportamentais, explícitos ou velados no âmbito das relações humanas.

Para saber se havia um denominador comum nos homens e mulheres que alcançaram o sucesso, a revista Your Life ouviu milhares de pessoas. A descoberta apontou a expressividade, ou habilidade de usar as palavras, no contexto "fala-escrita-gesto" – a mais importante forma de comunicação humana – como característica comum entre eles.

LEIS IMPLÍCITAS

Ao tentar compreender esse fenômeno, percebi a existência de leis implícitas que regem as relações humanas, assim como as que governam a Cosmologia. São tão simples e óbvias e por isso pouco percebidas habitualmente, como o oxigênio que respiramos. Vejamos, de modo sucinto, alguns exemplos de três leis implícitas:

Ouvir é mais importante do que falar
Quem ouve com atenção compreende o que está sendo dito e pode responder com propriedade, elegância e segurança. Ganha pontos positivos.

O processo do diálogo é mais importante que seu resultado
O objetivo de uma conversa será alcançado se a sua própria fluência abrir o caminho em sua direção. Tentar inverter esta ordem impõe riscos desnecessários.

Um contato existe quando se estabelece o nós
A relação humana bem sucedida requer que o "eu" e o "tu" sejam transcendidos para formar nós. Somente a partir deste terceiro comum é que a verdadeira relação se estabelece. É nesse ponto que se fecham bons negócios, se consegue emprego almejado e o "sim" da namorada para o casamento.

Um amigo me advertira que quando uma pessoa viaja para a Europa pode ter duas impressões visuais da arquitetura local: achar que as cidades são velhas ou antigas. A diferença entre um olhar e outro define a qualidade da observação. Conhecer as leis implícitas na arte das relações humanas faz a diferença ante a possibilidade de sucesso no mundo profissional, na realização de negócios, na vida pessoal. Elas podem inspirar o bom humor, assim como despertar para a interessante aventura de compreendê-las e aplicá-las com talento inovador no dia-a-dia.

* Carlos Rossini é jornalista, sociólogo e consultor de inovação em relações humanas.

Michele Rangel

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domingo, 29 de março de 2009

Um tema interessante, Diáspora Africana




Abaixo um trecho retirado do site Brasil de Fato, sobre a diáspora africana, uma tema bastante interessante para que como nós adora cultura. Falar da influência dos africanos na cultura brasileira, é como falar do próprio Brasil, com sua diversidade, suamiscigenação, suas comidas, seus ritmos. Estou fazendo uma pesquisa sobre o tema e vou tentar colocar por aqui as minhas observações.


"Os netos dos africanos escravizados que para cá foram trazidos nos navios negreiros, ou tumbeiros,compõem hoje uma parcela considerável dos povos americanos. Em alguns países, como o Haiti e a Jamaica, são a esmagadora maioria da população. Em outros formam uma expressiva minoria, como os EUA, onde são perto de 40 milhões. No Brasil, predominantemente mestiço - de uma mestiçagem talvez sem paralelo -, é provável que sejam maioria. Como o são certamente em Salvador, a maior cidade negra fora da África. Em um leitura mais ampla, é possível dizer que toda a espécie humana compõe uma grande diáspora africana. As últimas descobertas da ciência atestam que o homo sapiens nasceu de um tronco único, no Continente Negro, provavelmente no vale do Rift, no Quênia atual. A diáspora que ocupa a Conferência de Salvador, porém, tem um sentido mais preciso: é aquela provocada pelo tráfego negreiro, nos três séculos e meio desde 1502, quando os primeiros africanos escravizados chegaram na Ilha de São Domingos (Antilhas), até outubro de 1855, data do último desembarque conhecido de um tumbeiro, em Serinhaém, Pernambuco. ARQUIPÉLAGO CULTURALNesse período, calcula-se que 12 milhões de africanos escravizados aportaram no Novo Mundo. E a população da África permaneceu estagnada, em cerca de 100 milhões de habitantes, pois, para cada pessoa aqui chegada como cativo, várias morriam no transporte, ou principalmente nas guerras fomentadas pelos tumbeiros. A diáspora teve portanto uma enorme importância para a África, assim como para as três Américas. E a ela se somaram, a partir da segunda metade do século passado, os seus ramos mais novos na Europa Ocidental (França, Reino Unido, Portugal). A despeito dos horrores que o marcaram, esse processo criou também um arquipélago cultural africano de notável vigor. Os que se interessam por estatísticas lembrarão que a África é o mais pobre dos continentes, e o que menos se desenvolve, castigado por guerras e pela pandemia da AIDs. E que em todos os países das Américas os negros e mestiços têm menor renda, maior taxa de desemprego, menos acesso à saúde e educação. Esses fatos reais convivem, porém, com outros que igualmente merecem atenção. Por exemplo: pouco depois que se criou a indústria de massa da música (com o fonógrafo, o disco e o CD, o cinema falado, a TV e a internet), e esta globalizou-se, a diáspora africana a hegemonizou. O jazz e seu primo mais jovem, o rock, o samba, o frevo, o axé, o reggae, o mambo, a salsa, o merengue, a cúmbia, e até a recentemente descoberta música de Cabo Verde de Cesária Évora constituem uma superpotência musical. Que outra matriz cultural detém tantos discos de ouro e platina no planeta? E quem negará o seu parentesco, que tem tudo a ver com a diáspora negra? Tudo isso acontece e prospera sem que se reflita muito a respeito. A Ciad não é portanto uma dessas siglas engenhosas que a diplomacia cria às vezes, mas uma necessidade palpável, a reclamar atenção, debate, consideração. Já era hora do mundo da intelectualidade e das instituições oficiais se debruçar um pouco mais sobre uma realidade tão rica e palpitante. A julgar pela lista de participantes, há uma percepção diferenciada dessa necessidade. O presidente Lula, como anfitrião, marcou presença, assim como vários chefes de Estado e de governo, e ministros, principalmente da Cultura, como o brasileiro Gilberto Gil e o cubano Abel Prieto. Já o governo dos EUA não se fez representar. A segunda maior diáspora negra das Américas esteve presente na Conferência mas por meio de expoentes da sociedade civil, como o cantor e ativista do movimento negro Steve Wonder. Bernardo Joffily é jornalista, autor do Atlas Histórico Isto É Brasil 500 anos e editor do portal Vermelho (www.vermelho.org.br) Os netos dos africanos escravizados que para cá foram trazidos nos navios negreiros, ou tumbeiros,compõem hoje uma parcela considerável dos povos americanos. Em alguns países, como o Haiti e a Jamaica, são a esmagadora maioria da população. Em outros formam uma expressiva minoria, como os EUA, onde são perto de 40 milhões. No Brasil, predominantemente mestiço - de uma mestiçagem talvez sem paralelo -, é provável que sejam maioria. Como o são certamente em Salvador, a maior cidade negra fora da África. Em um leitura mais ampla, é possível dizer que toda a espécie humana compõe uma grande diáspora africana. As últimas descobertas da ciência atestam que o homo sapiens nasceu de um tronco único, no Continente Negro, provavelmente no vale do Rift, no Quênia atual. A diáspora que ocupa a Conferência de Salvador, porém, tem um sentido mais preciso: é aquela provocada pelo tráfego negreiro, nos três séculos e meio desde 1502, quando os primeiros africanos escravizados chegaram na Ilha de São Domingos (Antilhas), até outubro de 1855, data do último desembarque conhecido de um tumbeiro, em Serinhaém, Pernambuco. ARQUIPÉLAGO CULTURALNesse período, calcula-se que 12 milhões de africanos escravizados aportaram no Novo Mundo. E a população da África permaneceu estagnada, em cerca de 100 milhões de habitantes, pois, para cada pessoa aqui chegada como cativo, várias morriam no transporte, ou principalmente nas guerras fomentadas pelos tumbeiros. A diáspora teve portanto uma enorme importância para a África, assim como para as três Américas. E a ela se somaram, a partir da segunda metade do século passado, os seus ramos mais novos na Europa Ocidental (França, Reino Unido, Portugal). A despeito dos horrores que o marcaram, esse processo criou também um arquipélago cultural africano de notável vigor. Os que se interessam por estatísticas lembrarão que a África é o mais pobre dos continentes, e o que menos se desenvolve, castigado por guerras e pela pandemia da AIDs. E que em todos os países das Américas os negros e mestiços têm menor renda, maior taxa de desemprego, menos acesso à saúde e educação. Esses fatos reais convivem, porém, com outros que igualmente merecem atenção. Por exemplo: pouco depois que se criou a indústria de massa da música (com o fonógrafo, o disco e o CD, o cinema falado, a TV e a internet), e esta globalizou-se, a diáspora africana a hegemonizou. O jazz e seu primo mais jovem, o rock, o samba, o frevo, o axé, o reggae, o mambo, a salsa, o merengue, a cúmbia, e até a recentemente descoberta música de Cabo Verde de Cesária Évora constituem uma superpotência musical. Que outra matriz cultural detém tantos discos de ouro e platina no planeta? E quem negará o seu parentesco, que tem tudo a ver com a diáspora negra? Tudo isso acontece e prospera sem que se reflita muito a respeito. A Ciad não é portanto uma dessas siglas engenhosas que a diplomacia cria às vezes, mas uma necessidade palpável, a reclamar atenção, debate, consideração. Já era hora do mundo da intelectualidade e das instituições oficiais se debruçar um pouco mais sobre uma realidade tão rica e palpitante. A julgar pela lista de participantes, há uma percepção diferenciada dessa necessidade. O presidente Lula, como anfitrião, marcou presença, assim como vários chefes de Estado e de governo, e ministros, principalmente da Cultura, como o brasileiro Gilberto Gil e o cubano Abel Prieto. Já o governo dos EUA não se fez representar. A segunda maior diáspora negra das Américas esteve presente na Conferência mas por meio de expoentes da sociedade civil, como o cantor e ativista do movimento negro Steve Wonder.
Bernardo Joffily é jornalista, autor do Atlas Histórico Isto É Brasil 500 anos e editor do portal Vermelho (www.vermelho.org.br)"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


A FEIRA HIPPIE DA SAENS PEÑA
Tradição e cultura que valorizam o bairro




A Feirarte III, a tradicional feirinha da Praça Saens Peña, encanta o bairro da Tijuca há mais de trinta anos. Administrada pela Secretaria Municipal de Cultura, com o apoio da Secretaria Municipal de Governo e regidas pela Lei 1.533/90; a feira funciona sextas e sábados de 08h às 18h e já faz parte do comércio da Praça, que nestes dias ganha um colorido todo especial.

Em Ipanema, na Praça General Osório, teve início a primeira Feirarte; quando artistas e artesãos sentiram a necessidade de terem um espaço para que pudessem expressar a sua arte livremente. Alavancada pelo movimento hippie - que teve seu auge nos anos 60 e 70 -, época em que cidade fervilhava com inúmeras manifestações culturais; a famosa Feira Hippie de Ipanema abriu as portas para que outras feirinhas fossem se espalhando pela cidade. Depois de Ipanema, surgiram a Feira Colonial da Praça XV, a da Praça do Lido, do Calçadão de Copacabana e a da Praça Saens Peña - que divulgam a cultura popular dos bairros que se encontram.

As feiras livres do Rio de Janeiro são tão antigas e se confundem com a história da própria cidade. Ainda na época colonial eram comuns comércios de pescado e outros gêneros nas ruas cariocas. A Região do Porto – hoje a Praça XV -, era colorida por diversas barracas abastecidas pelos barcos que chegavam a cidade. Contudo, o comércio que se fazia ali era informal até o ano de 1971, quando o Marquês do Lavradio autorizou o comércio; ganhando as características das feiras atuais.

Quem mora no bairro da Tijuca sabe que ali se encontram diversos produtos artesanais com qualidade e bom preço. Apesar do bairro ser conhecido pelo forte comércio e a presença marcante de grandes shoppings centers, a feira continua com muita oferta e bastante procura! É o que nos diz umas das mais antigas artesãs da feira. D. Wilma vende chinelos e pijamas na feirinha há mais de trinta anos, segundo ela, o carinho do povo tijucano é o que move este comércio.
- Houve uma época em que quiseram acabar com a nossa feirinha e os próprios moradores do bairro não permitiram que isto acontecesse. Aqui nosso público é fiel, tenho fregueses antigos que já levaram meus chinelos até mesmo para fora do Brasil. – declara.

Tradição, cultura e originalidade tornam a feirinha um mercado diferenciado. D. Sônia também, bem antiga na feira, trabalha bem esta questão do diferente. Ela borda bolsas e cada uma fica com um estilo diferente. Além disso, ela realiza aplicações de flores e retalhos podendo usar cerca de 70 pedacinhos de tecido, conferindo um mosaico colorido e original.
- Resolvi fazer algo ainda mais diferenciado e há cerca de um ano tenho quatro senhoras que bordam comigo as bolsas, deixando uma diferente da outra. Aqui nada fica igual! - revela

Esse é o intuito da feirinha; cada artesão desenvolve seu trabalho, têm seu espaço, convive em harmonia, atendendo a todos os gostos. Uma única volta na Praça pode significar presentes comprados para toda família neste Natal. Aproveitando as festas a feirinha terá o seu horário ampliado; funcionando também às quintas-feiras do mês de dezembro.

E agora, a feirinha conta com mais uma novidade; um site que mostra os acessos, mapas, os artesãos com seus produtos em diversas fotos, além de mostrar os personagens que contam esta história escrita pelo povo e para o povo. Cultura e arte que atravessam anos no bairro mostrando a força da cultura popular, dando um charme diferenciado às ruas do bairro da Tijuca.
Veja mais no novo site da feirinha: http://www.feirartedasaenspena.com/

Michele Rangel

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A arte de criar

Para resolver tantas questões relacionadas às escolhas que devemos fazer em nossa vida profissional, acabei de ler este livro. O que me deu dicas bem interessantes e, conforme prometido, as dividirei por aqui. “A arte de criar” de Rollo May fala da coragem que devemos ter no ato da criação. Todo jornalista já passou pelo dilema de olhar aquele pedaço de papel e não saber por onde começar, como também, já foi assaltado por uma inspiração repentina, que o fez escrever por horas! Segundo o autor, toda profissão requer uma coragem criativa, mas são os artistas – dramaturgos, dançarinos, músicos, poetas, escritores -, os mais capazes de se entregar a tal ato. Estes são os eternos insatisfeitos com tudo que é apático, convencional e os que se lançam ao novo de forma mais apaixonada.
Para ele, o ato criativo surge desta capacidade do ‘encontro’. Ele ressalta que a criatividade sempre foi encarada como algum problema ou neurose. A explicação é que a arte que não é tratada de forma epidérmica, a que é genuína, requer indivíduos que consigam alargar suas fronteiras e fugir de padrões pré-estabelecidos. O encontro com a arte sempre vêm acompanhado de uma dose de ansiedade que, se bem trabalhada, resulta no prazer da criação. É a intensidade do encontro e o envolvimento que são fundamentais, mas, isso não está dissociado de um compromisso. Tudo que um artista cria tem uma referência ao seu mundo e nisso, se inserem percepções que perpassam o campo das artes, da história e que carece de uma referência no real.
Diante de um mundo onde tudo deve ser “para ontem”; se entregar a um encontro criativo parece uma dica pautada na ilusão. Realmente, somos esvaídos de toda nossa criatividade, quando temos que produzir sem parar. O que o autor aponta é que são nos momentos em que estamos mais descansados é que podemos ter esta experiência. Muitas vezes, algo surge no caminho do trabalho para casa, na estação do metrô, em sonhos; momentos em que a mente parece que descansa. Nestes instantes de quase calmaria é que surgem as melhores idéias. Contudo, vale lembrar que estas aconteceram, porque o indivíduo já esteve compromissado ao ato de criar. Então, alternar momentos de lazer e trabalho pode ser bem mais proveitoso do que se dedicar em tempo integral a uma idéia.
Segundo o psicólogo, o conformismo - resultado de uma comunicação para as massas -, é o que interfere na criação. É inevitável, nos dias de hoje, que se realize uma comunicação a nível médio para que se atinja a um maior número de pessoas. Por isso, aquele que ameaça destruir tal ordem é tido como o errado, o diferente, o insano. Mas, a criação livre ultrapassa padrões e para que permaneça assim, o criador necessita ultrapassar fronteiras. Acredito que todo jornalista saiba disso!
Tenho certeza, que muitos lutam contra a uniformidade de padrões e ainda que se encontrem inseridos num mercado, que pouco nos permita evasão, não devem abandonar a coragem de se criar. Criar no sentido de fazer algo novo, de mexer com o que precisa sair da inércia. Temos diante de nós um mundo consumista, onde tudo se reduz a números, mas, a arte de criar sempre atravessou épocas e continuará assim. Sempre existirão os questionadores, os artistas, os indagadores e aí está o verdadeiro papel do jornalista.
O livro mergulha nestas questões e propõe o encontro da criatividade de uma forma corajosa, uma vez que, muitos são os fatores que impedem a descoberta desta capacidade. A coragem liberta, a criação regozija e é disso que uma sociedade necessita para sair da ‘mesmice’ e de fato fazer diferente. Vale muito a pena uma leitura e uma meditação.


Michele Rangel
*Rollo May é professor, teólogo e psicanalista, um dos maiores estudiosos da alma humana. May, Rollo. A Coragem de criar – Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Partideiros do Cacique no Trapiche Gamboa


Para você que gosta de um bom Samba de Raiz, o grupo Partideiros do Cacique estará nesse sábado no Trapiche Gamboa Centro do Rio de Janeiro na Rua Sacadura Cabral, 155 Praça Mauá, Gamboa, a partir das 22:30hs, couvert R$20,00.

O Grupo Partideiros do Cacique faz uma tradicional e animada roda de samba com repertório variado que com certeza vai fazer a alegria de muita gente...

Apenas por curiosidade, eu Kátia Barros, uma das autoras do blog vou estar comemorando meu aniversário de 37 aninhos por lá...

grande abraço a todos os meus amigos blogueiros, até sábado

Kátia

quarta-feira, 30 de julho de 2008




Dormitório das Garças de Cabo Frio
O vôo seguro rumo à preservação ambiental

A tarde cai em Cabo Frio e podemos vislumbrar uma cena fantástica, inúmeras garças vão para a sua casa dormir, seguras e protegidas por lei! Parece um encontro marcado, a partir das 17 horas, o céu se enche de lindas garças brancas, todas numa mesma direção e rumo a um endereço certo! São cerca de 1.400 delas e mais 39 espécies de aves que fazem um verdadeiro balé no ar e descansam ao final do espetáculo, que é imperdível! O Parque Municipal Ecológico Dormitório das Garças “Walter Bessa Teixeira” foi inaugurado no dia 5 de junho de 2007, data melhor não poderia ser, pois se trata do Dia Mundial do Meio Ambiente!
Quem chega é levado ao interior do manguezal, por um extenso deck de madeira, situado a cima da maior laguna hiper-salina do planeta. Um caminho que é marcado por inúmeras placas; lembretes de que devemos preservar o meio ambiente! Durante o passeio, podemos vislumbrar um observatório, local onde se pode ver a chegada e a partida das aves. Dali a vista é deslumbrante; a imensidão do manguezal e as aves que cruzam o ar em busca de seu descanso. O Parque possui também um pórtico, uma sala de administração, dois banheiros com acessibilidade para deficientes físicos e estacionamento.
Novos tempos em que todos devem ter em mente a importância de valorizarmos o nosso ecossistema. Devido a isso, desde 2005, a Prefeitura de Cabo Frio investe no plantio de 34 mil mudas, além da planta mangue-negro, que ajuda na retenção da poluição de superfície do canal, com o movimento das marés. O resultado do replantio já é notado em diversos pontos do manguezal. Alem disso, as idéias de preservação podem ser esclarecidas e difundidas, uma vez que, a unidade conta com um auditório com capacidade para 40 pessoas. Inúmeras palestras de preservacionistas são ministradas e, inclusive, a alunos da rede municipal de ensino. Mostrando que a educação é o ponto forte, para que possamos criar um futuro mais compromissado com o meio ambiente!
Um livro em comemoração a um ano do parque foi lançado pelos biólogos José Henrique, Diego dos Santos Moura e Maria Aparecida Marinho. “DO SONHO À REALIDADE”, relata a trajetória do manguezal, desde a sua destruição até a sua recuperação, além de retratar toda a fauna e flora do local. O livro será distribuído para todas as bibliotecas da rede municipal de ensino. Uma iniciativa da Prefeitura e de pessoas que se sentem parte do meio ambiente e que podem transmitir a tantas outras a importância de se sentir inserida a natureza, de fato!

A consciência deve partir de todos, é uma questão cultural! Mais projetos de preservação devem ser construídos e divulgados, para que possamos garantir um mundo de harmonia e vida para as próximas gerações.
Desde a inauguração, o Dormitório das Garças já recebeu 3.480 visitantes, entre alunos, cidadãos e turistas, o que revela que o ser humano está mais preocupado com a manutenção da vida no planeta. Portanto, vale a pena uma visita a este parque que, nos proporciona um contato direto com a natureza, além de nos alertar para a necessidade de uma visão mais cuidadosa com o futuro do nosso planeta! A entrada é gratuita! É só chegar e se encantar com o belo e com esta bela iniciativa; um convite imperdível, um encontro com a simplicidade e um momento de reflexão.

Mais informações sobre o Parque Municipal Ecológico Dormitório das Garças podem ser obtidas através do telefone da Secretaria Municipal de Meio-Ambiente: 2645-3131
Michele Rangel