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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Para os amantes da pipoca, filme e sofá, uma boa dica para o feriado!!


Primo Basílio
Produzido, co-escrito e dirigido por Daniel Filho, em uma adaptação ao romance de Eça de Queiroz, retrata a história de uma mulher casada que não resiste aos encantos do sedutor primo, o Basílio. Luiza é interpretada pela graciosa Débora Falabella e Basílio pelo atraente galã Fabio Assunção. Escolha perfeita, uma vez que ela refletiu bem o papel da jovem recém casada e cheia de sonhos e ele a do lindo, viajado e sedutor primo.
Trocada Lisboa pela grande São Paulo, o filme trata de uma história extra-conjugal , onde de um lado está uma jovem sonhadora, que nutre uma paixão adolescente pelo primo e de outro, o mesmo, um jovem sedutor que a faz perder a cabeça. Enquanto o marido engenheiro se ocupava da construção de Brasília, a jovem Luiza, não resiste às investidas do primo. Aquele típico amante que sabe dizer a palavra certa na hora certa, com o único intuito de todos, levá-la para cama! E como toda história acaba tendo um “diabinho”, Luiza é incentivada pela amiga adúltera e bem “soltinha” Leonor, a se divertir com o bonitão. Bom, como era de se esperar, a moça não resiste e se entrega aos braços de sua grande paixão, que lhe faz grandes juras de amor em tardes calorosas no “Paraíso”, apartamento escolhido para os encontros.
Luíza, cega e totalmente envolvida passa a escrever cartas de amor ao primo. Aí, começam a existir as possíveis “provas e evidências”, a empregada Juliana as descobre e resolve fazer delas a sua aposentadoria. A jovem num ímpeto de loucura procura o primo e lhe propõe uma fuga à Paris. Muito romântico não fosse o caso dele apenas ter se divertido com a coitada e não dar a mínima a seu pedido. Pior, ainda retorna sozinho a “Cidade Luz”, após uma despedida fria, digna de um cafajeste. Luíza se desespera e tenta recompor sua vida, uma vez que o marido “corno” estaria prestes a retornar ao lar. Ainda assim, continua a escrever cartas ao primo que deixara um cartão com o endereço, contudo, suas linhas nunca tiveram respostas.
Se existe mordomo assassino, esta empregada não ficaria muito atrás, ela inverte os papéis e faz a jovem realizar os serviços domésticos, enquanto ela, passa as tardes assistindo TV. Luiza então assume as tarefas da casa de dia e a noite se faz esposa e amante. Quando sucumbi às chantagens de Juliana, a moça resolve recorrer a “amiguinha das fáceis soluções”, Leonor. É deve ser fácil para umas, mas de fato, para uma mulher normal, era difícil de suportar a idéia de se entregar por dinheiro ao banqueiro que Leonor a apresentara. Tentativa fracassada. Assim, Luiza se desespera e pede ao amigo em comum do casal, Sebastião, que lhe ajude. A solução fora o atropelamento da empregada que, ao invés da tão sonhada e rica aposentadoria, morre tragicamente.
Quando tudo parece ter terminado, o primo resolve responder a uma das cartas que cai nas mãos de último que a poderia ler, o marido. Luiza se desespera e atormentada de culpa começa a desenvolver quadros de delírio, acompanhados de febres altíssimas. Já no hospital, o marido a perdoa, mas ainda assim, a jovem morre em seus braços. Quando Basílio retorna e tenta visitar a prima, descobre que ela não estava mais nesta vida!! O primo repete o descaso de sempre e ainda diz: “Antes ela do que eu” . Depois dessa frase proferida pelo primo, deixo minhas observações para momentos posteriores, que virão, com certeza. Apenas preciso de um ar.
Michele Rangel

terça-feira, 8 de abril de 2008


Essa mania de blogs culminou com uma outra nova: A de assistir filmes e mais filmes! Tenho passado os últimos meses fascinada por esta idéia, tanto que resolvi fazer um blog para escrever um pouquinho sobre esta experiência. O endereço é Cinema, Pipoca e Afins.



Pensei em começar fazendo um convite para que todos participassem do blog e daí me veio na cabeça a expressão "Fala Tu", o filme e tudo mais. Então, resolvi começar por ele, mesmo já o tendo assistido a algum tempo. Então, depois dessas linhas, "Fala Tu", deixe seu comentário, sugestão, ou seja lá o que for.....
O filme Fala Tu retrata a trajetória de pessoas que vivem nas favelas do Rio e que conseguiram através da música mudar suas vidas. Foi eleito como melhor documentário e melhor direção pelo júri popular ganhando prêmio no festival de Berlim de 2004. O filme gerou polêmica dentro e fora do país.Fala tu mostra o cotidiano de personagens reais que encontraram no rap uma alternativa para não sucumbirem ao poder paralelo que domina as favelas do Rio. Revela a batalha desses, que mesmo em meio a dureza de suas vidas conseguem passar uma mensagem otimista.Combatente, uma das personagens que mora em Vigário Geral canta rap para revelar sua experiência e quebrar a visão machista que ainda existe no movimento hip hop.Sua passagem deixa explícita a dificuldade e preconceito que a mulher negra sofre dentro de uma sociedade onde existe um modelo europeu de beleza. Sua experiência salienta também, a importância das rádios comunitárias para o movimento hip hop.A realidade de Macarrão que tem no rap uma forma de desabafar a realidade que vive. Ele revela que as dificuldades de quem vive na favela são tantas que para muitos acaba sendo mais fácil seguir o mundo do crime que o trabalho convencional do “ asfalto”. Ele se identifica com a sua comunidade, gosta de morar na favela, porque existem laços de afetividade fortes ali e ele não é marginalizado.Diferente de sua mulher Mônica, que não aceitava a vida da favela por achar perigosa e não concordar com a imposição dos traficantes. A religião foi seu refúgio e ela tentava por meio desta conforto para ela e sua família. Ela faleceu ainda nas gravações, durante o parto de seu filho com Macarrão. Sua história foi chocante, como a de diversas pessoas que vivem sem infra estrutura alguma, sem apoio familiar e excluídas socialmente.Cavalcante outro personagem marcante mostrou um grande exemplo de esperança e persistência. Acredita no rap como uma forma de expandir o que acontece dentro das comunidades. O filme mostra a trajetória dele e de seu pai, do reencontro, depois de dez anos, até sua doença e morte. Ainda assim, ele possui um otimismo contagiante e pretende ser jornalista e trabalhar em rádio.Fala Tu buscou a realidade dessas pessoas, que fizeram do rap uma linha divisória, transformando positivamente suas realidades. E também deu vozes a tantas outras que puderam entender a essência do movimento hip hop e seu caráter transformador.O filme é mais uma contribuição para mudança no enfoque de abordagem da realidade das comunidades que a mídia produz. Alia -se a luta de mídias alternativas que querem mostrar o trabalho e a trajetória de pessoas que buscam soluções viáveis para a problemática social.Dirigido por Guilherme Coelho, foi filmado oito dias depois da morte do jornalista Tim Lopes quando a relação da mídia com o tráfico estava contaminada. Ainda assim, conseguiu mostrar o outro lado de quem vive na favela.O que se percebe e que a mídia tradicional esta aquém do que deveria. O enfoque deveria seguir novas direções. Apenas 2% de quem mora na favela está envolvido com o crime. E para quem não está, fica a cada dia mais difícil lutar contra essa imagem que a mídia construiu ao longo dos tempos.Esse é o desafio de quem batalha por condições igualitárias num país que se diz sem preconceito, mas que produz atitudes separatistas cotidianamente. E dever da mídia revelar tudo o que acontece, isso e fato. O traficante deve aparecer nos jornais e noticiários e ser punido. Mas não e só de crime que vive a favela. Dentro das comunidades carentes encontramos pessoas engajadas em projetos sociais de grande relevância.Fala tu se refere a essas pessoas, que encontraram na música forma de recuperarem a auto estima, respeito e dignidade. E com isso, conseguiram através de suas vivencias e conquistas sensibilizar quem está dentro e fora dessa realidade. Porque na verdade a sociedade é uma só e a responsabilidade social é dever de todos.
Michele Rangel
Ps: Este texto é o primeiro filme escolhido para o blog, visitem e participem! Particularmente eu amo esta mistura pipoca + filme, mas se preferir outra não tem problema algum, o que vale pe curtir a sessão!!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Doar, doar e doar....


Lar Anália Franco
Talvez possa parecer que este tema não seja de cunho cultural, mas é de vital importância, uma vez que vivemos numa sociedade anestesiada e entorpecida pela futilidade e o individualismo. De fato, não se trata de nenhuma crítica literária ou matéria de cultura popular, contudo, é um assunto que deve estar sempre em pauta, aqui e em qualquer outro lugar. Por isso, tomei a liberdade de postá-la, com a certeza de que todos irão concordar com meu ato.
Estive neste último sábado fazendo uma visita junto à escola de meu filho, ao “Lar Anália Franco”para levar algum tipo de ajuda, financeira e afetiva às meninas que lá permanecem em regime de semi internato. O lar se mantém totalmente de doações e abriga crianças de 0 a 12 anos que estão em alguma situação vulnerável ou em risco social. Todos os pequeninos que estão em idade escolar se encontram matriculados na rede municipal de ensino e passam o período restante no lar Anália Franco, onde recebem assistência médica, odontológica, psicológica e orientação espiritual. Além disso, a instituição provê vestuário, calçados, alimentação e ministra aulas de teatro, dança, informática, entre outras.
A escola de meu filho promoveu uma espécie de gincana baseada numa tabela de pontos, onde as turmas dos alunos doavam seus brinquedos, roupas e alimentos. A equipe vencedora teria como prêmio um churrasco. Na realidade sabemos que muitas crianças estavam ali pelo “evento” e pelo tão esperado churrasco, contudo, a atmosfera daquele lugar com certeza deixou algo de diferente, tanto na cabeça das crianças de lá, como na das que foram visitar.
Talvez este seja o primeiro passo para construirmos uma visão menos egoísta na cabeça de nossos filhos. Uma visita como essa será muito mais construtiva do que irmos ao shopping e comprarmos mais um brinquedo, que as nossas já têm em demasia. Aquelas crianças carecem de tudo, e sempre há dentro de nosso armário, entupido de coisas inúteis, algo para lhes oferecer. Existem os que podem doar grandes quantias, existem os que podem doar muito amor, existem os que doam seu tempo – seja lá o que for, o ato de doar é algo que o ser humano precisa muito exercitar.
Acredito que esta situação lamentável em que é tratada a educação no nosso país, o descaso do Estado com tantas crianças carentes é algo que provoca desânimo. Ainda assim, não devemos esmorecer e permanecermos sentados recostados em nossas “almofadas de inércia”, apenas reclamando do que “eles” deveriam fazer. É necessária uma visão maior, além dos nossos umbigos e é fundamental que ensinemos os nossos filhos a assistirem menos TV para verem a vida que existe do lado de fora, sem futilidades e edições. Estar em contato com outra realidade coloca nossas crianças mais conscientes do abismo social que esse país enfrenta e as orienta na realização de grandes feitos, que podem começar desde cedo.
Michele Rangel



Lar Anália Franco
Rua Marechal Rondon 875, Rocha.
Tel: (0xx21) 2281-1000
Email: laranaliafranco@ig.com.br

domingo, 6 de abril de 2008

Papos Culturais

Pessoal,

O blog Papos Culturais nasceu da necessidade de divulgar um pouco da cultura popular brasileira, debater sobre a cultura no Brasil, mostrar fatos curiosos, enfim fazer um fórum de discussão sobre cultura.
O tempo passou e, apesar de ser um blog mais visitado do que o Balzaquianas, percebo que pouquíssimas pessoas comentam esse blog. Faço um convite aos leitores que me ajudem, que comentem, deêm dicas, para que esse espaço fique melhor.
Abaixo uma enquete para que eu possa conhecer vocês melhor.

beijocas

Kátia Barros

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Olinda: Magia, cultura e carnaval!


Andar pelas ruas de Olinda, subir e descer aquelas ladeiras é vivenciar experiências quase que mágicas. Primeiro a visual - uma arquitetura quatrocentista com seus casarios antigos envolta por uma natureza exuberante.Depois a atmosférica – respirar arte e ter contato com diversas manifestações culturais, seja nas artes plásticas, na música e na culinária. Chegar ao topo da ladeira da Sé e encontrar aquelas barracas com tapiocas de todo tipo e olhar a cidade lá do lato, chega a ser como uma miragem. Entre um atelier e outro, a oportunidade de conhecer obras de artistas plásticos de renome internacional como João Câmara, Tereza Costa Rego, Guita Charifker e outros artesãos anônimos, espalhados nos 71 ateliers na cidade alta. É como um levitar cultural e não é a toa que a cidade inspira poetas, é pauta de músicas e foi eleita Patrimônio Cultural da Humanidade.
Agora, talvez o ponto forte desta cidade seja o seu carnaval. Um carnaval multicultural onde todos podem chegar. São sons que vêm de todo Brasil e do mundo. Mesclam-se o Maracatu, o frevo, o coco, o rock and roll e o samba. Olinda é a mistura democrática que exacerba seus ritmos sem deixar também que os outros cheguem e se façam notados. Mas para além do frevo tradicional, que faz parte da raiz do carnaval olindense e dos tradicionais bonecos gigantes que desfilam em meio ao povo, a cidade também cai no samba.
Podemos dizer que o samba de fato não têm fronteiras. Este ano o frevo completou 100 anos e desta forma o carnaval de Recife e Olinda foi exaltado na Avenida com muito samba no pé pela Estação Primeira de Mangueira. A escola veio tecendo a trajetória do frevo, lembrando grandes nomes e grandes blocos pernambucanos.
Muitos são os nomes responsáveis por fazerem vibrar gerações de multidões “frevolentas” no Recife. Capiba, que é um dos maiores nomes da música pernambucana que compôs para o “Bloco da Madeira do Rosarinho” a música “Madeira que cupim não rói”, além de vários outros clássicos. Raul Moraes compôs grande parte do repertório do “Bloco da Saúde da Mulher” que vinha a ser concorrente do “Bloco das Flores”, além de ter participado de diversos blocos como “Pirilampos”, “Batutas do São José”, “Galo Misterioso”, entre outros. Edgar Moraes, irmão de Raul Moraes, que foi o autor do frevo que inspirou a criação do Bloco da Saudade “Valores do passado”, uma marcha que faz homenagem aos 24 blocos extintos do carnaval do Recife; e Cláudio Almeida que produziu, junto com Humberto Vieira, o primeiro CD do Bloco da Saudade “Saudade vai passar”. Enfim, são muitos nomes que não poderiam ser esquecidos e que ganharam notoriedade merecida entre os cariocas pelo enredo da Mangueira de 2008.
Essa mistura de samba e frevo também têm seus adeptos por lá. Entre uma ladeira e outra o samba de um grupo tradicional de Olinda, o Patusco, arrasta milhões de foliões. Além do frevo, maracatu e coco também se ouve o samba enredo das tradicionais escolas de sambas cariocas mesclando a irreverência pernambucana á poética do samba carioca. O final disto tudo é muita alegria que arrasta multidões de foliões, cariocas, pernambucanos, mineiros, paulistas e muito mais.
O samba carioca feito por pernambucanos que desce e sobe as ladeiras de Olinda. A ponte entre o Rio de Janeiro e Pernambuco está sendo feita aqui e lá, revelando a grandeza da cultura popular. A união está para lá de aprovada, levantou a Marquês de Sapucaí, a avenida dos cariocas e arrastou centenas de foliões em Olinda.
Portanto um aviso aos cariocas e aos amantes do samba de todo país, além de tantos ritmos você encontrará muito samba e de qualidade pelas ruas de Olinda e para isso você não precisa de Abada, não necessita ingresso, nem tampouco permissão, é só chegar e se misturar ao povo, entrar no ritmo e cair na gandaia, ou melhor no samba.
Precisa sim é de fôlego, para subir e descer as ladeiras embaladas pelos ritmos que se misturam e a multidão de foliões que só para de pular na quarta feira de cinzas, chorando a espera do próximo carnaval.
Michele




O Patusco descendo as ladeiras......

Tradição no carnaval de Olinda

O Patusco
O grupo carnavalesco foi criando em 1962, pelo clã Vasconcelos Guimarães, e logo passou a ganhar destaque por fazer um carnaval participativo e original entre os fuliões olindenses. Deco um dos diretores do grupo fala um pouco mais deste “samba enredo”.

ENTREVISTA DECO

1- Como surgiu o Patusco? ­­­­­­­­­­­­­­­­
O grupo carnavalesco foi criando em 1962, pelo clã Vasconcelos Guimarães, e logo passou a ganhar destaque por fazer um carnaval participativo e original entre os fuliões olindenses, porém, somente veio a ser conhecido como PATUSCO em 1972, onde, para participar de um Concurso de Fantasia realizado pela EMPETUR em Olinda o grupo teria que dar um nome no ato da inscrição, como a fantasia nessa época era de pato, os fundadores buscaram uma palavra que lembrasse pato, mas que ao mesmo tempo desse as reais características para a filosofia do grupo, e por pura coincidência, acharam no dicionário a palavra PATUSCO, que significa: Aquele que gosta de patuscada, ou seja, um ajuntamento de pessoas que se reúnem para beber, brincar e se divertir. Pronto, estava dado o nome, não poderia existir palavra melhor para este grupo.

2- Me fale um pouco da história e da trajetória do grupo?
O grupo passou por diversas fases, começou com um grupo de pessoas vestidas com fantasias exóticas, logo depois veio à fase das sátiras políticas. A partir de 1973, com o dinheiro ganho no concurso de fantasia da EMPETUR de 1972, o grupo comprou instrumentos musicais e passou a ter uma bateria própria. Hoje o bloco é reconhecido pelo som de sua bateria tradicional. Em 2000, foi criada a BANDA PATUSCO, que toca o ano inteiro fazendo shows pela região nordeste.

3- Como é feita a escolha de repertório e de componentes?
A escolha do repertório é feita por alguns integrantes, escolhendo dentre os repertórios de samba enredo, Beth Carvalho, Alcione, Simone, entre outros artistas famosos. Além disso, a banda recebe composições feitas por pessoas da própria região para o próprio PATUSCO. A escolha dos componentes da bateria é feita da seguinte forma: As pessoas interessadas a tocar no bloco carnavalesco fazem as inscrições (gratuitas), participam de alguns ensaios e depois é feita uma avaliação e os cortes necessários.

4- O carnaval de Olinda é conhecido por sua irreverência, por se mesclarem diversos ritmos, como você vê isso?
Esse é o diferencial do carnaval de Olinda, é um carnaval multicultural, aqui se sobe uma ladeira com o maracatu, desce com um frevo, sobe novamente ao som do caboclinho e mais uma vez desce sambando. Enfim, dança e escuta diversos ritmos em uma única festa popular e democrática.

5- Quando e onde o patusco poderá ser visto neste carnaval?
A partir de sexta-feira, dia 16/02, com seu tradicional “arrastão” abrindo o carnaval olindense, no domingo, na segunda e na terça de carnaval com seu desfile oficial, que terá concentração na Rua do Amparo, em frente a casa do PATUSCO às 8:59 hs da manhã.



6- Quais os projetos futuros?

Lançamento de um CD com musicas próprias, começar a fazer shows fora da Região Nordeste e dar continuidade ao PROJETO PATUSQUINHO (projeto social com crianças carentes da comunidade da Ilha do Maruim, onde estas mesmas crianças tem que estar matriculadas e estudando para participar).

domingo, 10 de fevereiro de 2008


O CENTRO CULTURAL CARTOLA



A comunidade da Mangueira tem como traço característico a união e o senso de pertencimento provocado pela arte, pelo samba e pela Escola de Samba ali instalada. A constatação de que a nova geração não tinha conhecimento da história de sua comunidade e o baixo índice de jovens empenhados em operar mudança no caminho a eles historicamente reservado, motivou a criação de uma instituição voltada para despertar nesses indivíduos o sentido de pertencimento, identidade e o resgate da memória afetiva.A rede de relações estabelecida pela grande líder DONA ZICA e seus netos Nilcemar e Pedro Paulo Nogueira, composta de professores, artistas, estudantes e pesquisadores possibilitou em 2001, a fundação do Centro Cultural Cartola. Inicialmente funcionando em espaço cedido pela FAETEC, em convênio com o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Desde 2003 o Centro Cultural Cartola ocupa uma área de sete mil metros quadrados, em prédio desativado do IBGE, cedido pelo Ministério da Cultura, localizado Rua Visconde de Niterói, na Mangueira.A iniciativa propõe o resgate de hábitos e costumes da cultura afro-brasileira, a valorização da troca de experiência entre gerações num contato direto entre griô e aprendizes, por meio do Projeto GERações, estimulando-os a participarem ativamente da “Roda dos Saberes”, em oposição às pressões externas de globalização e a falta de auto-estima e de pesquisa.A base deste empreendimento é a vasta obra de Angenor de Oliveira, o Cartola, cuja importância para a música popular brasileira é reconhecida. A escolha de Cartola como patrono da instituição se justifica pela sua importância no mundo musical, complementada por sua luta, superação de dificuldades, exemplo de inserção ativa do indivíduo na sociedade por meio da produção cultural. Assim, além da criação de espaços destinados à exposição e à divulgação da produção cultural de Cartola, o Centro Cultural, atualmente reconhecido como Ponto de Cultura, pelo Ministério da Cultura, se dedica à educação musical e artística de crianças, jovens, adultos e idosos em projetos sociais de grande abrangência. Tem como objetivo a promoção e desenvolvimento da cidadania por meio das artes, motivando os crianças, jovens e adultos do Morro da Mangueira e adjacências, no município do Rio de Janeiro, a identificar valores culturais da comunidade a que pertencem, oferecendo gratuitamente oficinas de teatro, dança, música, poesia e eventos sócio-educativos como: a realização de rodas de leitura, coleta de Depoimentos, mostras de vídeo com debates, shows e palestras. Possui uma Biblioteca Comunitária com o apoio da faculdade de biblioteconomia da UNIRIO.Os benefícios que a iniciativa proporciona para a comunidade é antes de tudo a valorização de uma identidade, a formação de cidadãos melhor preparados e fortalecidos, com melhores condições de competitividade no mercado e integração social. O trabalho de preservação e difusão das nossas tradições leva a proteção das mesmas, evitando a descaracterização.
E o resultado do trabalho desenvolvido pode ser apreciado por outros segmentos da sociedade, podendo ainda gerar recursos e divisas, considerando que a nossa “matéria prima” é o samba e por meio dele trabalhamos a nossa identidade e sua importância como patrimônio cultural brasileiro.
ps: Amigos recebi este texto do meu amigo Thiara e estou repassando por aqui, uma vez que acredito que todos devam conhecer este lugar e este nobre trabalho. Em breve, escreverei mais sobre o Centro, o Cartola, o samba e um pouco do que isso representa na vida cultural do Rio de Janeiro e na minha vida.


Michele Rangel

Nei Lopes Especial


SAMBA DE FUNDAMENTO

Nei Lopes - Magno de Souza


Vestiu o meu terno de linhoe ficou feito um morto

Calçou meu pisantebranquinho e sentiu desconforto

Botou na cabeça o chapéu assim feito uma flor

Pegou meu pandeiro e bateu com mais ódio que amor.


E aí foi catando cavaco em fundos de quintais

Arfando, como quem viola templos virginais

E como era sambista só porque Seu Rei mandou

Vibrou minha sétima corda e nela se enforcou.


O samba

Vem lá de muito longe

De antes da Praça Onze

De emoções ancestrais.


Candeia Por sinal já dizia

Que ele é filosofia

Não é moda fugaz.


O samba

É uma coisa de dentro

Tem os seus fundamentos

Os seus rituais

E a gente

Só penetra essa seita

E em seu colo se deita

Quando sabe o que faz...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

“Quero ser feliz. Para isso preciso de modelos.”

Este é o início de um brilhante texto do Arnaldo Jabor publicado no seu livro de crônicas “Amor é prosa e sexo é poesia”. O que antes era um artigo do jornalista, depois virou música da Rita Lee para, finalmente nascer o livro, que, aliás, merece ser lido e relido. Jabor aponta de forma incrível a mediocridade das relações, que hoje são regidas mais pelo que vêm de fora que pelo interior.
Tenho assistido alguns capítulos desse atual BBB, que não entendo como já chega á marca de oitavo. Na verdade, a identificação e o fascínio pela cultura da superficialidade são vistos e acompanhados durante muito tempo em nossa sociedade. Porém, poder detectar quais são os meios utilizados para este fascínio, como é o caso dos programas reality show, tal qual o Big Brother, começa a se tornar interessante.
O espetáculo é facilmente encontrado em vários programas da televisão brasileira, contudo, essa mesma presença espetacular na sociedade acaba, em meio a correria do dia a dia, acostumando os olhares passivos de milhares de telespectadores a não percebê-los. E assim nascem os heróis, os semideuses que têm seu caminho favorecido pelo “empurrãozinho” da fama pela fama.
Hoje nossos heróis não são como os de antigamente, nem precisam de grandes esforços, não mais salvam mocinhas em perigo - se é que ainda existe alguma - não escalam montanhas nem nada, aliás, melhor mesmo é não saber de nada...
É Como relata Jabor: “ (...)Hoje, não. Nossos heróis masculinos não trabalham. A mídia nos ensina que os heróis da felicidade não têm ideal algum a conquistar, a não ser eles mesmos. A felicidade virou uma autoconstrução de sucesso, de bom desempenho. O solitário feliz suga o prazer em cada flor, sem conflitos, sem dor, sem afetos profundos, mas sempre com um sorriso simpático e congelado. O herói feliz passa a idéia de que não precisa de ninguém, de que todos são o objeto de seu desejo, de que todos podem ser prisioneiros de seu charme; mas ele, de ninguém....(...)A mulher da mídia deseja ser um objeto de consumo como um eletrodoméstico, quer ser um avião, uma “máquina” peituda, bunduda, sexy ( mesmo se fingindo), também o homem da mídia deseja ser “ coisa”, só que mais ativa, como uma metralhadora, uma Ferrari, um torpedo inteligente e, mais que tudo, um grande pênis voador, um “ passaralho” superpotente, mas irresponsável e frívolo, que pousa e voa de novo, sem flacidez e sem angústias. O macho brasileiro tem pavor de ser possuído por uma mulher. Não há entrega; basta-lhe o encaixe. O herói macho se encaixa em heroína fêmea B e produzem uma engrenagem C, repleta de luxo e arrepios, entre lanchas e caipirinhas, entre Jet-skis e BMWs, num esfuziante casamento que dura três capas de caras....
Infelizmente “alienação + superficialidade” são os principais ingredientes desta receita, que, somada a uma bela edição resultam no produto perfeito para a nossa sociedade. Essa que nos dá todas as respostas para que sejamos seres humanos que pregam a sua vida em um mundo de consumo, mercadoria, do capital, da aparência e do fascínio. Que espetáculo!
Diariamente assistimos a tantas outras cenas que eu gostaria que não se prolongassem os capítulos. Cenas de uma vida real onde o jogo Mas é assim, enquanto as pessoas se preocupam com as desejáveis “bundas alheias” todo o resto segue sem resposta. Enquanto vamos dando apenas nossas “espiadinhas” têm muita gente de olhos bem abertos.
Michele