domingo, 10 de fevereiro de 2008
Nei Lopes Especial
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
“Quero ser feliz. Para isso preciso de modelos.”
Este é o início de um brilhante texto do Arnaldo Jabor publicado no seu livro de crônicas “Amor é prosa e sexo é poesia”. O que antes era um artigo do jornalista, depois virou música da Rita Lee para, finalmente nascer o livro, que, aliás, merece ser lido e relido. Jabor aponta de forma incrível a mediocridade das relações, que hoje são regidas mais pelo que vêm de fora que pelo interior.
Tenho assistido alguns capítulos desse atual BBB, que não entendo como já chega á marca de oitavo. Na verdade, a identificação e o fascínio pela cultura da superficialidade são vistos e acompanhados durante muito tempo em nossa sociedade. Porém, poder detectar quais são os meios utilizados para este fascínio, como é o caso dos programas reality show, tal qual o Big Brother, começa a se tornar interessante.
O espetáculo é facilmente encontrado em vários programas da televisão brasileira, contudo, essa mesma presença espetacular na sociedade acaba, em meio a correria do dia a dia, acostumando os olhares passivos de milhares de telespectadores a não percebê-los. E assim nascem os heróis, os semideuses que têm seu caminho favorecido pelo “empurrãozinho” da fama pela fama.
Hoje nossos heróis não são como os de antigamente, nem precisam de grandes esforços, não mais salvam mocinhas em perigo - se é que ainda existe alguma - não escalam montanhas nem nada, aliás, melhor mesmo é não saber de nada...
É Como relata Jabor: “ (...)Hoje, não. Nossos heróis masculinos não trabalham. A mídia nos ensina que os heróis da felicidade não têm ideal algum a conquistar, a não ser eles mesmos. A felicidade virou uma autoconstrução de sucesso, de bom desempenho. O solitário feliz suga o prazer em cada flor, sem conflitos, sem dor, sem afetos profundos, mas sempre com um sorriso simpático e congelado. O herói feliz passa a idéia de que não precisa de ninguém, de que todos são o objeto de seu desejo, de que todos podem ser prisioneiros de seu charme; mas ele, de ninguém....(...)A mulher da mídia deseja ser um objeto de consumo como um eletrodoméstico, quer ser um avião, uma “máquina” peituda, bunduda, sexy ( mesmo se fingindo), também o homem da mídia deseja ser “ coisa”, só que mais ativa, como uma metralhadora, uma Ferrari, um torpedo inteligente e, mais que tudo, um grande pênis voador, um “ passaralho” superpotente, mas irresponsável e frívolo, que pousa e voa de novo, sem flacidez e sem angústias. O macho brasileiro tem pavor de ser possuído por uma mulher. Não há entrega; basta-lhe o encaixe. O herói macho se encaixa em heroína fêmea B e produzem uma engrenagem C, repleta de luxo e arrepios, entre lanchas e caipirinhas, entre Jet-skis e BMWs, num esfuziante casamento que dura três capas de caras....
Infelizmente “alienação + superficialidade” são os principais ingredientes desta receita, que, somada a uma bela edição resultam no produto perfeito para a nossa sociedade. Essa que nos dá todas as respostas para que sejamos seres humanos que pregam a sua vida em um mundo de consumo, mercadoria, do capital, da aparência e do fascínio. Que espetáculo!
Diariamente assistimos a tantas outras cenas que eu gostaria que não se prolongassem os capítulos. Cenas de uma vida real onde o jogo Mas é assim, enquanto as pessoas se preocupam com as desejáveis “bundas alheias” todo o resto segue sem resposta. Enquanto vamos dando apenas nossas “espiadinhas” têm muita gente de olhos bem abertos.
Michele
sábado, 19 de janeiro de 2008
Grupo Partideiros do Cacique
beijocas
Kátia
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Zeca com Marília Gabriela
O programa vai ao ar no GNT no domingo, às 22h.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Que galera é essa?????
A juventude tem limites mínimo e máximo e esses variam em cada momento histórico. A trajetória dos jovens perpassa caminhos de luta por uma sociedade mais justa e igualitária. É fundamental notar como a conjuntura histórica influenciou essas gerações ao longo dos tempos. E assim, entender porque atualmente existe uma maior consciência social. Percebemos hoje um crescimento no número de pessoas envolvidas em projetos que visam à saída desse sistema que pouco permite evasão.
O livro “Galeras cariocas” do sociólogo Hermano Viana aborda um estudo que busca entender a juventude e seu caráter transformador, mergulha em mundos diferenciados e revela como cada um agrega valor diferenciado. Realiza uma abrangente pesquisa que trata da juventude dos anos 60 e 70, em tempos de repressão, a juventude militar, até a juventude dos dias de hoje.
O autor mostra como se dão os encontros e os conflitos entre as galeras dos anos 90, intensificando seu estudo no atual e como a “cultura do medo”, de forma diferenciada, desenvolvida pela violência afeta cada uma delas. Seleciona uma série de exemplos e alternativas de pessoas que mesmo convivendo na rotina violenta imposta pelo tráfico de drogas conseguem alternativas para sair do mundo do crime, que pode ser pela Religião, pela Arte e pela inserção no mercado de trabalho.
Como exemplo de conflitos, o autor analisa os bailes funks que compreendem a tensão entre a competição e a hostilidade, entre rivalidades sem grande importância e confrontos mais sérios. De acordo com o contexto instaurado nesses bailes os jovens tecem atitudes que permeiam entre o lúdico e o violento e que são a forma como esses jovens descarregam seu sentimento de abandono e revolta diante de um sistema que abandona e discrimina todo e qualquer movimento das classes menos favorecidas.
Hermano Vianna trabalha em seu livro paralelamente o livro Cidade Partida de Zuenir Ventura que revela o cotidiano de jovens moradores de Vigário Geral. Nessa pesquisa de campo o jornalista encontrou grupos juvenis como o GerAcão e o grupo cultural Afro Reggae, assim como a Casa da Paz que reúnem jovens que buscam a vida longe da vida do crime.
Nessa luta pela erradicação da fome e da miséria observou se o empenho não só dos jovens moradores da favela, que queriam constituir um futuro mais digno, como também de estudantes de diversas áreas do Rio de Janeiro, que em união buscaram soluções para questões de desigualdades sociais e violência na cidade.
O Afro Reggae ficou conhecido em todo o Rio por exemplos de cidadania, que tirou jovens da rua, que podiam estar à mercê de traficantes e sem perspectivas de saírem dessa realidade, em que muitas vezes, é intensificado pelo preconceito e o descaso da sociedade que se diz preocupada, mas não realiza práticas que promovam mudanças reais.
Esses encontros tornaram viáveis trocas entre quem vive e mora na favela de Vigário Geral e os que moram no asfalto. Trocas que ensinam mais quem estava fora através do contato direto e da experiência, uma realidade além da que a mídia costuma revelar.
O autor buscou também analisar uma outra parcela de jovens que se denominavam a juventude militar, que se inseriam nesse caminho ara adquirir acesso ao estudo e crescimento de carreira. Estes jovens que tiveram voz no início de suas formações com o tempo a perderam devido ao regime autoritário imposto por militares que utilizavam uma outra forma de obediência que também tinha no medo caráter de coesão.
Já os jovens revolucionários dos anos 60/70 em sua maioria vinham de uma classe média que possui um sistema de valores que possibilitava que estes tivessem um projeto de vida. Muitos queriam ser médicos, engenheiros, professores, advogados, mas o contexto social e político da época acabou transformando estes em líderes revolucionários. Foi uma década em que se destacavam artistas, intelectuais e jovens que buscavam pela educação politizar o povo para que estes adquirissem consciência crítica em tempos em que o golpe queria fazer a juventude calar.
O livro mostra como a juventude nos seus mais diversos grupos como os jovens das periferias, os da classe média, revolucionários, artistas, enfim todos que representam esse país possuem suas formas peculiares de se relacionarem com uma realidade desigual.
Um país de pluralidade cultural onde a superioridade e o etnocentrismo se disfarçam, mas sobrevivem de modo muito forte em nossa sociedade. Ninguém nasce com preconceito; ele se adquire através de estereótipos injetados em nossos corpos e mentes através dos tempos.
Hoje em dia ninguém é uma coisa só. Todo e qualquer grupo deve aceitar as diferenças e buscar soluções viáveis para resolução de uma causa única, que é a social. E cada vez mais percebemos que o jovem aparece tecendo atitudes para mudar a realidade em que vivemos.
Michele Rangel
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Pagode da Tia Doca
Curiosidades
O Pagode da Tia Doca a mais de 29 anos agita os Domingos e vem se destacando, ao longo desses anos, como um ponto de encontro de samba. Vale destacar, ainda, que a um ano o Pagode da Tia Doca também realiza apresentações todas as Sextas-Feiras no tradicionalíssimo Cordão do Bola Preta. Cerca de 1.200 pessoas lotam a casa nas noites de Sexta e 1.500 nas noites de Domingo para ouvirem clássicos do samba, onde artistas consagrados também já pediram a "benção" à eterna pastora, como Beth Carvalho, Reinaldo, Arlindo Cruz, Sombrinha, Elza Soares, Fernando Abreu, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e Wilson Moreira.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Tia Ciata
"No futuro, quando se fizer uma história do Brasil honesta e sincera, é que se poderá dar o valor devido à etnia negra na formação do povo brasileiro, principalmente na constituição de seu perfil cultural, afetivo, psicológico e sociológico. Obrigatoriamente, ter-se-á que reconhecer, sem dúvida, que o bom caráter do nosso povo, principalmente em relação às qualidades de generosidade e tolerância, foi abundantemente regado com o sangue e o suor do negro brasileiro, que arrancado de sua pátria, de modo selvagem e violento, e conhecendo em terras brasileiras toda a sorte de violência e humilhação , soube mercê de seu caráter elevado, perdoar a vilania do branco colonizador, dando , em paga da chibata e do tronco, o seio da mãe preta , para fornecer seiva de vida aos filhos dos senhores de engenho , e o braço forte do negro para trabalhar nas fazendas de café, açucar e algodão. Ainda está por ser feito o inventário da contribuição do negro na formação do povo brasileiro. Muitos nomes de negros valorosos haverão que ser lembrados, na constituição dos vários segmentos da cultura brasileira. Dentre estes ninguém poderá olvidar o nome de uma valorosa mulher negra da maior envergadura que muito contribuiu para as origens de uma das nossas mais ricas formas de manifestação cultural, que é a música brasileira. Estamos nos referindo a tia Ciata, de nome Hilária Batista de Almeida, figura de proa da comunidade negra que aparece em todos os relatos que dão conta do surgimento do samba carioca e dos ranchos, cuja lembrança permaneceu cultivada sempre com muito carinho pelo coração dos negros antigos da cidade do Rio de Janeiro. Tia Ciata, viu a luz do mundo em Salvador, no ano de 1854, e porque era dia de Santo Hilário, recebeu o nome em homenagem ao santo. Na sua cidade Natal bem cedo tomou contato com a cultura ancestral da sua raça e bem nova foi feita no santo. Com apenas 22 anos, em 1876, chegou ao Rio de Janeiro, indo morar na rua General Câmara, e mais tarde mudando-se para as vizinhanças de um grande representante da colônia baiana no Rio, Miguel Pequeno, marido de D. Amélia do Kitundi, na rua da Alfândega, n. 304. Sobre seu verdadeiro nome instalou-se controvérsia , constando no atestado de óbito Hilária Pereira de Almeida, e numa petição de pedido de ingresso no clube Municipal, declinando-se o nome como sendo Hilária Pereira Ernesto da Silva. Mas, não resta dúvida que oficialmente , inclusive fato testemunhado pelos seus descendentes e que figura nos livros que fazem referência à sua pessoa, está consignado que se chamava Hilária Batista de Almeida. Fincando vida no rio de Janeiro, ainda nova começou a namorar com Norberto da Rocha Guimarães, também, baiano, de cuja relação nasceria sua primeira filha Isabel, numa fase de vida de que começava a oferecer as primeiras experiências de vida adulta a esta mulher corajosa que mais tarde se celebrizaria na colônia baiana do Rio de Janeiro, mercê de seu espírito forte a que se aliavam uma grande sabedoria religiosa e grandes conhecimentos de culinária. Por exímia conhecedora da excelente culinária baiana, onde foi formada e sendo doceira de excelente qualidade, começou a trabalhar na rua da Carioca, envergando sempre suas roupas de baiana preceituosa , que nunca mais abandonaria depois de certa idade. Apesar do nascimento da filha Isabel, Norberto nunca viveria junto desta e da mãe, ficando ao largo dos grandes momentos de Ciata no Rio de Janeiro, que teria papel central na formação da pequena África no Rio de Janeiro, para onde afluiam os negros em busca de orientação, de proteção, de ajuda financeira. Mais tarde Hilária foi viver com João Batista da Silva, também baiano, que detinha boa condição de vida, estabelecendo com ele uma relação duradoura, que foi muito importante para sua afirmação no meio negro. João Batista havia chegado a freqüentar curso de Medicina na Bahia, interrompido por razões que se não conhecem, mas presumivelmente por dificuldade de enfrentar o enorme preconceito de que era alvo por ser negro. Abandonando a Faculdade, João Batista conseguiu vencer as dificuldades com tranqüilidade, ao conseguir, mercê de seu preparo intelectual, se manter em empregos estáveis, como linotipista no Jornal do Comércio e mais tarde conseguindo um dos desejados cargos de funcionário público na Alfândega. Um descendente seu , o sambista Buci Moreira , conta que foi graças ao trabalho de curadora de Ciata, que João Batista conseguiu um posto privilegiado de baixo escalão no gabinete do Chefe de Polícia, oferecido pelo Presidente Wenceslau Brás, em preito de gratidão e reconhecimento pela recuperação de sua saúde que andava abalada e muito o fazia sofrer em razão de um equizema, que até então nenhum médico conseguira dar jeito, e do qual foi por Ciata , com ajuda de seu orixá, completamente curado. Com João Batista teve uma prole numerosa de 15 filhos, entre os quais Glicéria, casada com Guilherme, também baiano que fez parte da Guarda Nacional( pais de Buci Moreira). Mulher de grande vitalidade e energia, Ciata fez de sua vida um trabalho constante, tornando-se com outras tias de sua geração a iniciadora da tradição carioca das baianas quituteiras, atividade que está baseada em forte fundamento religioso, e que foi recebida de bom grado pelos cariocas. A presença de Ciata era tão importante que sua figura foi registrada por Debret no seu famoso livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Após o cumprimento das tarefas religiosas, sendo os doces colocados no altar de acordo com o Orixá homenageado no dia, Ciata ia para seus pontos de venda, com saia rodada, pano da costa e turbante, ornamentada com seus fios de contas e pulseiras. Levava sempre tabuleiro farto de bolos e manjares, cocadas e puxas, os nexos místicos determinando as cores e a qualidade; por exemplo, na sexta feira, dia de Oxalá, era também dia de cocadas e manjares brancos. Ciata havia sido iniciada no santo por Bambochê, sendo legítimo imaginar que era ligada com o tronco mais tradicional do candomblé nagô baiano. No Rio de Janeiro Ciata desenvolvia suas atividades religiosas na casa de João Alabá, sendo a primeira, Iya Kekerê, Mãe Pequena, que atendia pelas obrigações das feitas no santo, pelas oferendas propiciatórias atribuídas a cada um à medida que avançasse no culto. Como Ebami, mais de sete anos de feita, era a Achogum da casa, a mão-de –faca, ligada ao sacrifício dos animais. A Mãe –Pequena, auxiliar direta do pai ou mãe–de-santo que lidera o candomblé no contato com as noviças a que prescreve os banhos rituais e dirige as iaôs, já iniciadas , nas danças dos orixás. A Iya Kekerê tanto usa o adjá, um instrumento próximo da sineta, que marca situações cerimoniais, como propicia ou mantém o transe dos cavalos possuídos por Orixas. É sua força e ascendência no santo que seria o centro da presença de Hilária junto à comunidade, um peso de lider que se fortalece tanto na organização das jornadas de trabalho, como na preparação dos ranchos, embora ela nunca saísse neles. Ciata de Oxum, Orixá que expressa a própria essência da mulher, patrona da sensualidade e da gravidez, protetora das crianças que ainda não falam, deusa das águas doces, da beleza e da riqueza. Ciata era festeira, dançarina, pagodeira, partideira , cantava com autoridade respondendo o refrão. Ciata sempre cuidando das panelas nas festas para que o samba nunca morresse. Hilária perde o marido em 1910, mas percebendo a sua importância para o grupo do qual era verdadeira lider, não se abateu continuando seu trabalho de agregação e ajuda aos negros . É na sua casa , nas grandes festas que o povo mais humilde, principalmente os negros , da Bahia e do Rio de Janeiro, vive seus momentos de alegria, de convivência fraterna e solidária, onde se retemperam as forças para o enfrentamento da dura realidade do dia a dia, na luta contra a pobreza, a adversidade, o preconceito. É aqui, nesse amalgama de gente simples e do provo, que vai se formar o caldo cultural que permite o nascimento de uma das nossas maiores riquezas : a música popular brasileira. É na casa de tia Ciata, alimentados pela boa comida e o alto astral proporcionado pelo generoso coração desta grande negra, que Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Heitor dos Prazeres, se reúnem para traçar a pauta do nosso rico futuro musical . No carnaval Tia Ciata também presente com a família, saindo no Rosa de Ouro e no seu sujo O Macaco é Outro. A casa de Tia Hilária se tornaria um dos principais do itinerário dos cortejos, com todos os ranchos passando em frente de sua janela para lhe prestar homenagem."
Artigo retirado do excelente site Brasil Cultura, sobre uma das maiores personalidades do samba carioca. Vale a pena conferir
Marcadores: samba cultura religião
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
O samba e os Cultos Afro-brasileiros

Acima obra do pintor Caribé - Roda de Samba





